domingo, 30 de outubro de 2016

Nota do MAIS e PCB para o segundo turno em Juiz de Fora

As eleições em todo país foi pautada pela abstenção, fortalecimento da direita tradicional e desmoralização do PT.
O Governo Temer e sua ampla base aliada tiveram uma grande vitória eleitoral, em 25 capitais, os partidos da direita e centro-direita conquistaram a primeira posição em 23. O PT, que era o único partido brasileiro que aumentava o número de vereadores e prefeitos eleitos a cada eleição, nesse ano despencou de 635 prefeituras para 256, de 5067 vereadores para 2795.
Em Juiz de Fora, semelhante ao restante do país, a eleição municipal apresentou alguns elementos. A direita tradicional apresentou em Juiz de Fora quatro candidatos: Noraldino, Lafaiete, Bruno e Rezato, obtendo 75% dos votos. Margarida teve sua pior votação, caindo de 37,19% em 2012 para 22,38%. Os votos nulos e brancos passam de 15%, ampliando em quase 5% das eleições municipais de 2012.
Neste cenário, a Frente Popular Socialista Esquerda (PSOL, MAIS, PCB, NOS e Brigadas Populares) sai fortalecida com 2.744 votos para prefeito e 1017 para vereador. Uma campanha feita nos bairros, nas portas das fábricas e escolas, diferenciando-se das demais candidaturas, ao construir seu programa em debates amplos e próximos ao movimento. Tivemos muitas dificuldades em virtude da lei antidemocrática aprovada pelo deputado Eduardo Cunha, recentemente cassado e preso por corrupção. Lei que diminuiu os direitos democráticos para a apresentação de nossas propostas, retirando quase todo o tempo de TV e impedindo a nossa participação nos debates.
Nossas organizações em Juiz de Fora ainda são pequenas, e encontramos algumas dificuldades no desenvolvimento da campanha, porém, mesmo com tudo isto, agradecemos aos trabalhadores e trabalhadoras, à juventude, e demais lutadores e lutadoras que estão no combate ao machismo, o racismo e a LGBTfobia. À todos e todas que apostaram na independência dos empresários para construção de uma alternativa socialista para transformação de nossa cidade.
A eleição no segundo turno:
Bruno, candidato do PMDB, atualmente possui índice de rejeição significativo. A cidade está abandonada e não há investimento que combata ou modifique a realidade desigual e violenta que Juiz de Fora se encontra. A taxa de morte dos jovens negros e periféricos permanece alta, greve dos professores e professoras, caos na saúde, falta de merenda em escolas municipais, albergue para moradores em situação de rua interditado por condições insalubres, e inúmeras outras questões demonstram isso. Ao mesmo tempo, os bairros nobres contam com massivo investimento, obras, policiamento e segurança. Essas diferenças expressam verdadeiramente uma divisão de classe expressa em nosso cenário urbano. Bruno, que faz parte do partido que propôs, através do presidente interino, um Projeto de Emenda Constitucional (PEC 241) que visa congelar os gastos com saúde e educação durante 20 anos no Brasil, demonstra cada vez mais que governa para as classes dominantes. Um prefeito que aceita representar um partido que defende essa postura, estaria apto para defender os interesses da população Juizforana?
Se não podemos, em hipótese alguma, render apoio ao PMDB, também seria um equívoco creditar ilusões na política petista expressa na chapa Margarida-Chico Evangelista. Devemos tirar as melhores lições do projeto fracassado do PT para o Brasil: um governo que, a partir de uma dita aliança entre ricos e pobres, conservadores e “progressistas”, deseducou os trabalhadores ao não manter independência das grandes empresas. Vimos que ao “governar para todos”, quando a crise chega não é bem assim. E, ao desmobilizar os trabalhadores brasileiros e se aliar ao capital financeiro, o PT cavou sua própria cova.
Inclusive a candidata Margarida, cumprindo o papel de deputada federal, infelizmente, votou no congresso a favor de ataques aos nossos diretos. Com sua ajuda foram aprovadas medidas como: pós-graduação pagas nas universidades federais e ataques ao PIS/PASEP e seguro-desemprego, que ferem os direitos dos trabalhadores. Em nome das contas públicas ou da governabilidade, o PT abriu caminho para os ataques promovidos no governo Temer.
Ao escolher Chico Evangelista do PROS como vice, o PT reproduz todos os erros do seu projeto político. Sabem das posições reacionárias deste político, pois votou contra o aumento de salários dos professores; defende a escola sem partido e demais pautas combatidas pela esquerda. O PROS virou-se contra o PT na votação do impeachment e mostrou a lealdade que se pode esperar destes partidos.
Enquanto sentimos na pele as piores consequências de tal aliança, fica tudo esquecido ou relevado pelo PT, mais uma vez em nome da tal governabilidade, abandonando o projeto de fortalecer uma posição à esquerda.
Olhando o cenário de Juiz de Fora, nos posicionamos pelo voto nulo. Voto que representa uma crítica à direita tradicional, representada pelo PMDB que vem atacando os nossos direitos, na figura de Bruno Siqueira; e a conciliação de classes com a burguesia promovida pelo PT em seus anos de governo, na figura de Margarida.
Canalizamos nosso esforço militante para construção do projeto trabalhadores/as e juventude construindo o Fora Temer. A resistência aos ataques dos nossos direitos, a luta dos secundaristas na cidade e no país e retornando aos bairro com Joquei 3, palco de importante manifestação neste mês que não contou com apoio de nenhuma das outras candidaturas.
A Frente de Esquerda representa um terceiro campo, um espaço em estágio embrionário, cujo fortalecimento expressa a unidade dos setores da esquerda que não se renderam à conciliação de classes petista, tampouco à desmoralização oriunda da rearticulação da direita. A vitoriosa intervenção unitária que realizamos nas eleições deve prosseguir nas lutas e nas mobilizações em defesa dos nossos direitos e pelo “Fora Temer”.
Entendemos que a política não pode ser construída de decisões imediatistas, pensando somente com a lógica do “menos pior”. Nossa tarefa agora é dar continuidade à Frente de Esquerda nas lutas sociais sem apoiar politicamente o PMDB ou o PT, construindo um terceiro campo. Não podemos ir na contramão das necessidades políticas no país, por isso, mesmo após o fracasso dos governos petistas, temos que construir uma alternativa socialista a direita tradicional e a conciliação com a burguesia. A falência do projeto do PT, que a direita tenta imputar a toda a esquerda, corresponde à ousadia de construir uma verdadeira alternativa de massas, completamente independente do PT e da direita, para impulsionar as lutas e oferecer uma saída progressista à crise política e econômica que vivemos no país.
Juiz de Fora, outubro de 2016

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